Eu sei que a vida não esta um mar de rosas
para ninguém. Ninguém mesmo! Independente da sua condição socioeconômica, todos nós
temos um abacaxi para descascar, um sapo para engolir, um pepino na mão e assim por diante. Sem
contar com a violência que aparece quando assistimos os telejornais ou na
primeira página dos jornais.
Bom, eu posso te dar uma dica para transformar
4 horinhas da sua vida em um mar de rosas, ou como quiser, um mar de rosa.
Em 1872 o
comerciante português Bento Joaquim Alves Pereira quis provar o amor que sentia pela sua esposa e a presenteou com um luxuoso palacete
de construção neoclássica típico da arquitetura urbana burguesa de meados do
século XIX. Um grande sobrado dividido em 8 quartos, 5 salões, cozinha,
banheiros e 4 quartos de empregados. Seu revestimento é de azulejos, com telhas
longas pintadas, beiral português, originárias da cidade do Porto, portas e
janelas guarnecidas de granito-do-Reino, com coloridas bandeiras de vidro,
gradil de ferro, 3 portões de ferro em meio de uma belíssima chácara arborizada onde uma arvore com a sua beleza de
flores na cor rosa e um fruto de paladar descritível apenas para os poetas que
diriam: Um sabor leve e macio como de nuvens adocicadas. Essa árvore assumiu o papel de protagonista e
deu o nome ao conhecido palacete niteroiense.
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Uma cena típica vista na lateral do Solar |
O Solar do Jambeiro com a sua arquitetura portuguesa têm na primavera
uma das mais belas cenas digna de uma obra de arte de um renomado artista. As
flores caem sobre o chão de terra do pátio adornando em rosa o lugar. Não seria
exagero se falasse que a imagem é de um lindo palacete boiando sobre um mar
cor-de-rosa.
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Jambeiro centenário responsável por deixar tudo cor-de-rosa |
Por falar em artes, em mais uma daquelas coincidências que não encontramos
explicações, o palacete serviu como residência do incrível pintor niteroiense
Antônio Parreiras que o alugou durante maio de 1887 a março de 1888 e depois
construiu residência própria ali bem pertinho do que talvez fora a maior fonte
de inspiração para se transformar em um dos mais premiados artistas do inicio do
século XX.
Em 13 de dezembro de 1892 o casarão foi adquirido por 50 contos de réis
pelo diplomata dinamarquês Georg Crhistian Bartholdy que exerceu a função de cônsul
do Brasil em Copenhagem entre os anos de 1912 e 1918. Foi a partir do novo
proprietário que o solar também ficou conhecido como Palacete Bartholdy.
Em função de longas ausências em missões diplomáticas o casarão também
foi alugado por diversas vezes pelo novo proprietário. Em 1903 foi sede do
Clube Internacional, uma agremiação recreativa e cultural que interagia a
sociedade niteroiense com as colônia
estrangeiras. Também foi alugado para o Colégio Sagrada Família entre 1911 e
1915. Foi ocupado também em 1918, pelo
Coronel da Guarda Nacional Pedro de Souza Ribeiro e também fundador da fábrica
de fósforos Vitória.
Finalmente em 1920 o diplomata e sua esposa Celina Olga Bartholdy,
ocupam a casa e realizam modificações arquitetônicas, como a instalação da luz
elétrica, a subdivisão no 2º pavimento para aumentar o número de quartos e a
construção de mais banheiros para acomodar a família. O casal ali residiu por
20 anos.
Após a morte do casal a filha Vera Fabiana Barthold Gad comprou a parte
dos seus três irmãos (Wanda, Sievert e Pedro) e residiu no solar até falecer em
16 de janeiro de 1975. Porem antes de morrer em 1971, Vera apoia a vontade da
sua nora Lúcia Piza Figueira de Mello Falkenberg, esposa de seu único filho
Hugo Einer Georg Egon Falkenberg, em solicitar ao IPHAN o tombamento do solar.
E assim foi feito em 28 de março de 1974, um ano antes da morte de Vera.
Houve uma tentativa frustrada de leilão do
casarão em 1988, pois não foi alcançado o valor pretendido pela família e foram
vendidos então 174 lotes de objetos pertencentes ao solar.
O proprietário do solar Hugo Einer falece
em 1993 e 4 anos depois, 1997, sua esposa Lucia Piza também vem a falecer. E em 12 de agosto do mesmo ano o Solar é
desapropriado pela Prefeitura de Niterói para resguardar a sua integridade
física e restaurar seus aspectos históricos e arquitetônicos.
Após a sua restauração em 2001 o Solar do
Jambeiro é administrado pela Fundação de Artes de Niterói (FAN) e tem abrigado
exposições, recitais, apresentações teatrais, conferencias, seminários, cursos
e eventos literários.
É com muito orgulho o projeto Recicla
Leitores foi convidado pela administração do Solar do Jambeiro e a Fundação de
Artes de Niterói para que no dia 10 de maio, de 13 as 17 horas, façamos um
grande evento lítero-cultural. O Evento é administrado juntamente com os
escritores gonçalenses Leo Vieira e Gil Milagres e contará com a presença de 12
escritores (
Leo Vieria,
Gil Milagres,
Luciene Prado,
Carolina Estrella,
EdrisVasconcellos,
Janaína Rico,
Roxane Norris,
Thayane Gaspar,
Juareis Mendes,
Rodrigo Santos,
Mia Malafaia e
Isabel Tubino), 4 artistas plásticos (
WemersonFreitas – Peu,
Lu Pereira,
Márcia Leão e
Lya Alves) exibindo suas obras, 2 contadores de histórias (
Tia Dulce e
JuareisMendes), 2 oficineiros (
Alexandre D’Assumpção e
Luciene Prado) que farão
atividades com crianças e adolescentes; tudo isso regado a muita música gostosa
do
Coral Harmonicanto Cantagalo e o músico
Jefferson Volve. (Obs: Clique no nome para conhecer cada autor e artista que estará no evento Litero-Cultural Recicla Leitores)
Então você já sabe, no dia 10 de maio jogue bem longe de seu alcance o
pepino que segura na mão, guarde o abacaxi na geladeira para descascar depois,
cuspa esse sapo e venha para sombra do jambeiro viver com a gente esse momento
MAR DE ROSA, mesmo que por 4 horas na sua vida.
Texto: Alex Wölbert
Referência: Dados fornecido pela administração do Solar do Jambeiro.