Conhece
essa expressão? Em que exatamente ela se aplica? Em praticamente tudo. A Roda,
sem dúvidas, é a maior descoberta da humanidade, até mais do que o fogo. A Roda
não é um invento. A Roda já existia há muito tempo. A Roda estava e ainda está em
todo lugar. Tudo que desenhamos se inicia com proporções geométricas, mas nas formas
circulares que ela ganha padronização. Se tudo o que desenhamos e criamos tem o
formato de uma Roda, significa que de certa forma, nada é muito original, pois
tem o movimento esférico como modelo.
Literariamente
falando, o escritor é um reinventor de Rodas. Toda sinopse, enredo, argumento,
personagens e roteiro, até esse conglomerado de textos se transformar em um
livro é na verdade uma grande Roda. Mas é uma Roda muito especial. Todo romance
tem início, meio e fim; além de personagens bons e maus; tramas que andam em um
compasso, mantendo o ritmo até o desfecho, deixando o leitor satisfeito a ponto
de querer saber mais sobre o autor e aguardar a próxima Roda. Essa é a Roda que
o escritor precisa reinventar e assim como o formato, o seu trabalho precisa
rodar e girar em um ciclo contínuo, sempre reinventando e aprimorando.
Não
tenha medo de recriar. E não tenha pressa em adaptar as suas ideias. Um
trabalho bem feito precisa de tempo e de aprofundamento. Pense, crie,
desenvolva e a sua ótica será apreciada como uma grande redescoberta.
A Família Recicla Leitores esteve presente no evento Mochila Literária® CNA, no dia 15 de março, na Livraria Cultura, no Centro do Rio de Janeiro. O evento já está em sua segunda edição na cidade e é itinerante em vários estados do país. O evento tem a coordenação geral da escritora Adriana Vargas e pelo Clube dos Novos Autores e a segunda edição carioca foi organizada pelos escritores Roxane Norris e Leo Vieira.
O evento teve a participação de leitores e blogueiros e em um espaço de tempo, onde todos puderam falar sobre sua biografia, obra e interagir com os participantes. Como todo bom evento literário, foi aberto com o Hino Nacional Brasileiro e encerrado com o sorteio de mais de 20 livros doados pelos autores, onde foi organizado em kits com marcadores, botons e sacolas, contemplando 5 leitores.
O mês de março é o mês em que comemoramos, no dia 8 de março, o dia Internacional da mulher. Pode ser apenas um dia( o oito), mas a mulher é tão especial que dedicamos todos os 30 dias do mês para elas que são, dedicadas, amorosas, carinhosas, companheiras, sensíveis e de sexo frágil.
Frágil? Frágil é um adjetivo que não combina com a mulher. Para começar o próprio dia 8 de março tornou-se comemorativo em homenagem as trabalhadoras da fábrica têxtil Cotton em Nova York no ano de 1857 que entraram em greve contra a jornada de 16 horas de trabalho e o salário de fome. Ocuparam a fábrica e sem a menor piedade o patrão prendeu-as, fechou todas as portas de saídas e incendiou a fábrica. Então as 129 mulheres de sexo nada frágil morreram queimadas nessa luta e fizeram desse dia o dia de todas as mulheres.
Na nossa cidade não faltam exemplos de mulheres guerreiras e sem dúvida nenhuma delas é Maria Estephânia Mello de Carvalho, um exemplo de mulher forte e determinada que lutou incansavelmente pela educação gonçalense.
A mulher que nasceu em 7 de junho de 1885 em Cantagalo, mas para nossa sorte adotou a cidade de São Gonçalo e aqui deu o seu suor para educação. E, consequentemente para o crescimento da cidade, pois a educação é a base para o desenvolvimento.
Uma aluna brilhante no Colégio Sion, em Petrópolis, cursou Ciências, Letras, Línguas e Música. Também cursou o Pedro II e fez vestibular de medicina.
Aos 35 anos de idade, ao casar-se com Sr. Zeno Bellido de Carvalho, abandonou o magistério e passou a morar em Niterói, mas um fato triste lhe fez voltar a se dedicar ao ensino. A morte da sua única filha aos dois anos de idade. E da tristeza nasceu a perseverança e fundou em sua própria residência um curso primário. Mais tarde é diretora do Curso Feminino do Colégio Brasil de Niterói e logo depois funda o Colégio Carvalho.
Foi aos 56 anos que Estephânia de Carvalho chegou a São Gonçalo. Em 1941 foi convidada pelo então prefeito Nelson Corrêa Monteiro para participar de uma concorrência pública para montagem de um colégio secundário no local de um casarão da Rua Coronel Moreira Cezar que a prefeitura acabara de adquirir para essa finalidade.
Passa seu Colégio Carvalho em Niterói para Dr. Plínio Leite e inaugura em 10 de novembro de 1941 o Colégio São Gonçalo contrariando muitos que não acreditavam possível um curso secundário em São Gonçalo. Não só provou que era possível como fez melhor inaugurando a primeira Escola Normal de São Gonçalo e um Curso Técnico de Contabilidade.
Participou ativamente na cidade como a Campanha de Manutenção e Auxílio às Famílias dos Combatentes da Segunda Guerra Mundial e foi uma das principais responsáveis pela campanha pró-busto do Dr. Luiz Palmier. Foi responsável também por um dos maiores marcos históricos da cidade, o Cruzeiro da Coruja que foi inspirada e construída por essa grande mulher com a ajuda de seus alunos. Dela também partiu a iniciativa de iniciar as comemorações do Dia do Município com o desfile cívico que anos depois foi incorporado pelas autoridades municipais e se tornou tradicional na cidade.
Foi a generosidade que tornou Estephânia de Carvalho uma mulher admirável. Tinha um coração imenso e não deixava ninguém de fora. Muitas mães devem a ela a felicidade de uma bolsa de estudo e um curso concluído. Era uma verdadeira mãezona e nenhum aluno deixava de estudar, mesmo os mais pobres. Ficou conhecida como “ A mãe do Estudante Pobre Gonçalense”.
Quis o destino que fosse no dia 2 de 1958 do mês de março, justamente no mês de comemoração Internacional da mulher, que este exemplo de mulher nos deixou. Descansou depois de tudo que fez pela educação de São Gonçalo. Tanto que seu reconhecimento renderam muitas homenagens como o Colégio Municipal Estephânia de Carvalho no bairro do Laranjal que atende uma média de 3.500 alunos cursando primeiro e segundo graus. Uma das principais homenagens foi dar o nome a principal praça do Município. Antes chamada de “Praça Cinco de Julho” e também chamada popularmente de “Praça do Zé Garoto” tem o nome de “Praça Estephânia de Carvalho” onde o povo em respeito a sua memória ergueu um monumento com seu busto.
Finalizo parabenizando todas as mulheres que assim como a professora Estephania de Carvalho são fortes como uma leoa e delicadas como uma rosa.
A
falta de atenção na carreira literária é grande e frequente. Quem nunca se
distraiu
e se perdeu em uma pesquisa ao analisar uma bobagem na internet? Isso acontece
com todos. Seja uma piada, ou imagem engraçada, ou curiosidade, ou cultura inútil,
entre outras coisas. As redes sociais se tornaram a maior inimiga do leitor virtual
e mais ainda do escritor.
Quando
for estudar no computador, e tiver a necessidade de fazer eventuais consultas na
internet, não deixe as páginas sociais abertas. Senão o seu desempenho pode
ficar reduzido absurdamente.
Se
você for escrever, também faça o mesmo. Se surgir algum link notável, salve-o
para consultar depois. Mas se você não resistir, aprenda a se policiar com
pequenas regras e metas para concluir seus objetivos literários.
Mas
afinal, essas bobeiras são nocivas? Depende muito, porque tudo em demasia é ruim.
Mas posso dizer que para um escritor, uma leitura ruim pode ser boa.
Todo
leitor, por mais acadêmico e refinado que seja o seu gosto, vai gostar de ler umas
inutilidades e serão exatamente essas palhaçadas que irão dar corda em suas ideias.
É igual em uma sopa, onde vamos escolhendo os melhores legumes, removendo as cascas,
folhas, sementes e partes ruins. Muitas ideias originais surgiram em momentos
ociosos. A mente humana precisa estar entretida para produzir novidades agradáveis.
Nesta
mesma linha de raciocínio, não vamos questionar, criticar e/ou oprimir quem compartilha
certas bobeiras nas redes sociais. É claro que tudo tem um certo limite, mas
vamos ter o bom senso e mensurar as coisas boas de cada um, seja como for.
Como eu sempre costumo ressaltar em minhas postagens, as atividades de um escritor não se resultam em apenas escrever. Um escritor também precisa tomar à frente de causas culturais literárias. Durante esses poucos anos, foram filiações, Honras ao Mérito, Moções de Aplauso, comendas, medalhas, títulos, premiações, troféus, Honoris Causa e muitos outros reconhecimentos e homenagens, fruto de muito esforço e dedicação.
Mas de nada vale você ser acadêmico, comendador e/ou ter reconhecimento nobiliárquico se você cruza os braços e vira as costas para algo que está dependendo de sua atenção, disposição, comunicação e mobilização.
O Recicla Leitores é um projeto itinerante responsável pela coleta e distribuição de livros para diversas instituições e comunidades. Foram muitas regiões que foram atendidas, através das feiras de coleta e circuitos culturais. O Recicla Leitores também promoveu encontros e palestras, além de gincanas com rodas de leitura e entretenimento para crianças. E eu sou voluntário e colaborador, acompanhando tudo
isso de perto.
Todas as atividades do Recicla Leitores são sem fins lucrativos. Porém os propósitos do grupo estão começando a gerar despesas. É muito triste saber que um projeto tão nobre como esse corre o risco de ser FECHADO (!) por falta de verbas; por isso que preciso frisar no assunto com todos nós.
O Recicla Leitores (coordenado pela família Aline Lucas, Victória e Alexandre Wölbert) está empenhado na construção da Biblioteca Comunitária. O local (em São Gonçalo-RJ) contará com espaço para pesquisas, leituras e estudos; brinquedoteca com brinquedos em Braille e sonoros; Ponto de Leitura com acervo em Braille e audiobooks; além de também se tornar a sede para muitos outros eventos, como encontros culturais, cursos e oficinas literárias.
Para não ficar com essa conversa de "vamos depositar", "vamos fazer doação", etc. Eu prefiro convidar a todos para CONHECER o projeto. Tirem um momento para conferir as páginas do Recicla Leitores e as suas atividades. Existem históricos, fotos, calendário de atividades e todo tipo de informação e referências que precisarem. Sempre tem algo que cada um pode fazer para ajudar, seja em depósito, ou então fazendo doação de material, ou até mesmo compartilhando essa matéria. E por que não também criar a sua própria mensagem de mobilização para os seus contatos virtuais?
A Biblioteca Comunitária ficará linda. Não vamos deixar que mais uma instituição cultural literária feche as atividades por falta de mobilização e apoio.
Conta para depósito: Caixa Econômica Federal AG: 3594 Conta Poupança (5zeros) 211-0 Operação :13 Aline da Silva Lucas
(também pode ser feito em Casas Lotéricas)
Cartão de Crédito pelo PagSeguro, basta ir até o site e clicar no ícone do PagSeguro.
www.reciclaleitores.com.br (fotos, vídeos e maiores informações sobre a campanha e o projeto)
Até
onde vai o limite de um escritor? Você poderia responder? Você poderia se
classificar?
Será que você poderia se definir até onde pode ir na escrita? Se você ainda
está pensando, desista! Um escritor não pode se reter no processo criativo.
Escrever
é uma aventura cansativa, porém gratificante. É um momento em que você define
um mundo ainda bruto e desconhecido, onde através de suas palavras e
criatividade, irá dar forma e transformar o enredo, com beleza e graça. A suavidade
e sabedoria na escolha do momento certo de usar as palavras farão que você se
torne um bom guia de mais uma esplendorosa experiência literária, seja ela um
texto curto ou um romance.
O
experimento é o primeiro passo para a construção do enredo e argumento. A
partir daí, você passará a tecer o caminho da aventura. Você precisa sentir a
obra que irá apresentar.
E o
processo criativo para uma música? Será que você se sente capaz para compor?
Não
titubeie na resposta! Todo escritor compõe. A música está por toda a parte e tudo
é um processo criativo que precisa ser desenvolvido através do treino e da prática.
As
músicas, assim como qualquer outro texto precisam de motivo e conteúdo para existirem.
Não crie música somente pela rima, ou a mesma poderá ter vida vaga e curta.
É
preciso saber algum instrumento musical para compor? Se souber, melhor. Um
violão ou piano ajudam bastante. Se souber cifrar (desenhar notas musicais
junto à letra), melhor ainda. Mas isso se desenvolve com o tempo e interesse.
Prepare
o gravador (do celular ou do PC), o papel, lápis, borracha, o violão (se
preferir)
e mãos à obra!
MELODIA:
Se
não quiser fazer com nenhum instrumento (o que eu particularmente, até acho
mais prático), se concentre nas notas musicais. Escreva os sons no papel e
toque com o lápis, fazendo a leitura das notas. Não tenha pressa. A melodia irá
começar a nascer disformemente. Daí você vai observando até que o som vai começar
a ficar mais "digerível". O trecho que você mais gostar, selecione e
grave. A partir dele, você poderá desenvolver o refrão. E nele você esticará a
introdução, a harmonia, o ritmo, o andamento, o refrão e o desfecho.
Com
a melodia pré-definida, você já tem uma base para inserir a letra.
LETRA:
A
composição geralmente é um conto ou crônica. Nem sempre é um poema, porque ele
não pode ser muito limado nas estrofes. Compor uma letra musical é o momento de
por melodia em uma história com conteúdo e rimas.
Geralmente
terá duas estrofes, cada uma com quatro versos (linhas). A primeira estrofe é a
introdução, com uma boa apresentação da história. A segunda é um gancho para
conduzir a melodia para o refrão, que também pode ser uma estrofe com quatro linhas
ou até mesmo três, com a última com um verso mais longo (sugestão).
O
refrão é muito importante porque é o momento em que a energia musical será mais
potente. É o momento do ápice da apresentação. Também é com a melodia do refrão
que se esboça a introdução musical e até mesmo se escolhe os instrumentos mais compatíveis.
Depois, é só fazer a segunda parte da letra (que geralmente tem o mesmo
refrão).
E
não é só isso. Revise, treine, cante, reescreva, grave e ouça o resultado.
Depois é só levar a melodia cifrada (se não souber, encomende o serviço a um
profissional) para registro. Grave em estúdio também (com banda), se preferir.
Já
imaginou compor uma música para cada livro? Ou quem sabe para cada capítulo
e/ou personagem? O que acha de lançar o CD oficial do livro?
Tudo
é válido para uma mente criativa bem desenvolvida. O processo para aprimoramento
é o mesmo de um romancista: muita leitura, pesquisa, treino e amor pela arte.
É
muito comum na vida de um leitor e/ou escritor ocorrer as conhecida insônias
por conta do texto que está lendo, revisando ou escrevendo. Um escritor sempre
perderá a noção do tempo durante as suas imersões literárias.
Mas
por que será que a madrugada é um período tão apreciado? Muito simples: a madrugada
é praticamente o ápice para que o cérebro possa trabalhar e desenvolver o senso
criativo. É nesse momento que temos os sonhos mais absurdos e inimagináveis.
Mas
nem sempre nos lembramos deles quando acordamos, exatamente pelo fato da madrugada
ser o momento de relaxamento total das ideias. Outro fator que torna a
madrugada especial é o silêncio. Quando estamos sem barulho por perto, temos
mais capacidade para raciocinar e também nos distraímos muito menos.
Durante
o dia, armazenamos informações, imagens, vozes, fisionomias, momentos notáveis,
melodias, entre outras preciosidades sem muita importância no momento. De madrugada,
quando o corpo começa a se desligar da realidade para o merecido descanso, a
mente começa a se agitar e trazer à tona todas essas informações de forma
intensiva e até descontrolada. A situação chega a ser incômoda, como um peso de
consciência. O momento especial em que você se torna cúmplice de suas ideias apresentadas
no papel. Aprecie esse momento porque a noite será longa, coroando mais um dia
que valeu a pena.
Só
pra ressaltar; esse texto também foi escrito em uma madrugada.
Quando se faz o bem o universo
conspira a favor com coincidências inexplicáveis.
Adélia Martins tinha tudo para
passar pela vida, apenas passar, mas ela fez mais do que passar. Ela passou e
plantou uma semente que germinou e dela brotou uma bela árvore que ainda continua
frutificando na nossa cidade. A árvore do conhecimento.
Aos 29 dias do mês de agosto do
ano de 1872 nascia no município de Boa Esperança, cidade de Rio Bonito a heroína da educação gonçalense.
Adélia Martins era filha do médico Dr. Joaquim de Almeida Marques Simões e
Maria de Freitas Simões, os grandes responsáveis pela sua alfabetização. A
menina nasceu obstinada em realizar seu sonho e ainda nova começou a lecionar para
os colonos e vizinhos da fazenda onde residia em Rio Bonito. Mas ela queria
mais, queria se especializar e seu pai deixou a grande missão de prepará-la
para Escola Normal de Niterói com o seu amigo também médico Edmundo March,
filho do famoso médico Dr. March.
Quando ingressou na Escola Normal
de Niterói Adélia já tinha 5 filhos e nos dias de aula sem ninguém que pudesse
cuidar enquanto assistia as aulas, os
deixavam no Grupo Escolar “ Barão de Macaúbas”, do respeitado pedagogo do
período monárquico Abílio Cesar Borges. Foi
nesse período que foi chamada de heroína pelo seu professor Ataliba Lepage.
Durante a gestão do Presidente do
Estado do Rio de Janeiro Dr. Alberto Torres (deu o nome ao Hospital Estadual no
bairro de Colubandê) Adélia Martins foi nomeada professora subvencionada no
próprio Município onde morava. Mais tarde, no governo de Dr. Nilo Peçanha
acabaram as subvenções e nessa parte da vida que São Gonçalo ganha o coração de
Adélia que se muda para São Gonçalo alugando uma salinha na casa do senhor
Salvino de Souza em uma região chamada Coelho (atual bairro de mesmo nome) onde
na época não existia nenhuma escola.
Adélia determinada na missão,
começou a correr a freguesia passando de casa em casa dos moradores do local avisando-os
para mandarem seus filhos para escola sem se preocuparem com custo, tudo 0800.
O resultado foi tão satisfatório que a salinha não deu mais para comportar tanta
criança, e Adélia não perdendo tempo adquiriu da família Duque Estrada a antiga
casa grande da Fazenda do Coelho.
Pedia doação de caixotes de
madeira aos comerciantes locais para servirem de banco para seus alunos, para o governo pedia doações de materiais
escolares (caderno,giz e quadro). Também conseguiu com que o governo através de
doação fizesse um grande galpão de madeira e telhas para atender mais alunos.
Adélia era muito querida por
todos no palácio do governo, levava frutas frescas, pudim e bolo.
Com tamanha força de vontade
Adélia foi reconhecida pelo então prefeito de São Gonçalo Geraldo Ribeiro que a
nomeou professora Municipal. Mas Adélia queria mais e não satisfeita conseguiu
que o então Presidente do Estado Dr. Feliciano Sodré a incluísse no quadro de
professores efetivos do Estado e foi nomeada para uma escola vaga numa fazenda
do Município fluminense de Vassouras.
Mas seu lugar não era ali, e
guerreira como sempre, consegue o maior de seus objetivos. Intercedeu junto ao
Presidente Feliciano Sodré a sua transferência
da escola em que trabalhava no Município de Vassouras para o Coelho, e
doou a escola de sua propriedade para o Estado onde passou a existir como grupo
escolar.
Em 1966 o então prefeito Joaquim
de Almeida Lavoura com a presença do governador do Estado General Paulo Torres
realizou a inauguração oficial do grupo escolar Colégio Estadual Adélia Martins
no Campo do Coelho. E até hoje funciona
em 4 turnos diários com mais de 1000 alunos.
Essa árvore que nossa heroína
plantou frutificou e é responsável pela formação anual de dezenas de gonçalense
moradores do Coelho e adjacência, os armando para enfrentar o mundo com a
melhor de todas as armas. A educação.
Exatos 66 anos após a morte de
Adélia Martins uma menina de 12 anos e sua paixão pela leitura faz a diferença
na vida de pessoas que antes não conviviam com o fantástico mundo da literatura
e consequente os enriquecendo culturalmente e socialmente. Essa menina cria o
Projeto Recicla Leitores.
Victoria inspirada pela sua mãe em
fazer o bem foi convidada a visitar a Cidade de Deus através de uma ONG
inglesa. A menina que adora ler durante a visita não desgrudava de seu livro,
logo foi alvo de olhares atentos das crianças que a cercavam. Sem titubear
perguntou a sua mãe o que tanto as crianças a olhava. Sua mãe explicou que
aquelas crianças não tinham o habito da leitura e aquele gesto aguçou a
curiosidade, já que o acesso a livros daquelas crianças eram apenas aos
didáticos. Então mobilizou todos os familiares a contribuírem com livros para aquela
meninada tão carente.
Não é que a menina conseguiu!
Arrecadou uma grande quantidade de livros e não parou mais. Continuou
arrecadando e doando em formas de eventos em várias comunidades do Rio de
Janeiro.
Com a grande quantidade de livros
chegando de todas as partes do Brasil a família Recicla Leitores conta apenas
com a sua residência para guardar esses livros e a casa ficou pequena para este
acervo, pois o número de livros que chegam é maior que o número que saem. Então
mediante ao crescimento do acervo, Aline Lucas percebeu a necessidade de um
espaço para receber os livros fazer sua triagem, limpa-los, etiquetá-los para o
próximo evento itinerante. Foi nesse momento que a família Recicla Leitores
pensou em comportar não só um lugar de armazenagem e sim uma biblioteca onde
contemplasse a comunidade ao redor.
Um casal de amigos da família acompanhando a
dificuldade cedeu um espaço de 106 m² para construção da biblioteca, no bairro
do Coelho, justamente na proximidade do Colégio Estadual Adélia Martins onde
essa guerreira construiu com seu suor um colégio fundado em uma educação
com amor ao próximo. Um amor que se
repete através da história com Victoria e sua família na construção da primeira
biblioteca comunitária do Coelho.
A previsão é que neste primeiro
semestre a biblioteca esteja funcionando a pleno vapor atendendo não só os
alunos do Colégio Estadual Adélia Martins, mas toda a comunidade do Coelho. Com
o auxilio do Rotary Clube de São Gonçalo esse mesmo espaço contará com uma
brinquedoteca e um ponto de leitura. Victoria e sua família ainda lutam para
conseguir material para obra. E quem quiser saber como ajudar basta entrar no
site do projeto (www.reciclaleitores.com.br).
Dom
Quixote de La Mancha era um lunático que se achava um cavaleiro andante,
desbravando um pseudo-heroísmo combatendo perigos imaginários.
Profissionais
malucos, que adoram sofismar desafios sem provas existem em todos os segmentos,
inclusive literários. Isso porque uma mentira precisa ser reforçada,
compartilhando com outros, até fazer o próprio falsário acreditar no seu
próprio boato e assim, viver de sua biografia fantasiosa em seu mundo ilusório.
E
quando a casa começa a cair, junto com a máscara e a reputação, ele começa a se
refugiar em uma época em que ele supostamente foi mais famoso, rebuscando
momentos, premiações e reconhecimentos inexistentes.
Também
já vi muitos exemplos de ex-artistas e até mesmo pregações pastorais surreais,
com história de fazer inveja a qualquer imperador de conto de fadas.
Sempre
que for compartilhar uma atividade cultural com um mitomaníaco literário,
pesquise sempre a biografia e referências. Não fique conivente dos erros dos
outros, nem mesmo dê corda para loucuras alheias. Senão você nem será o Sancho
Pança e sim o Rocinante (o cavalo do D. Quixote).